As lentes convergentes e divergentes do telescópio refrator

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perguntou Jul 26, 2015 em Telescópios por Francisco Mauricio AstroNovato (940 pontos)
reclassificado Fev 25, 2016 por Guilherme de Almeida
Em geral o telescópio refrator tem 2 lentes convergentes (objetiva e ocular), a primeira para focar o objeto e a segunda para ampliá-lo.

No entanto há outro em que a ocular é uma lente divergente, o que parece ser contraditório.
  

1 Resposta

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respondida Jul 26, 2015 por Guilherme de Almeida Super-Nova (24,440 pontos)
editado Jul 28, 2015 por Guilherme de Almeida
 
Melhor resposta

Na sua versão mais simples e esquemática, o telescópio refractor clássico (dito luneta de Kepler) é de facto constituído por uma objectiva convergente e por ocular convergente. Dá imagens invertidas.  No entanto, essa versão simples enferma de numerosas imperfeições de imagem. Por isso, o telescópio refractor actual tem no mínimo duas lentes a formar a objectiva e pelo menos três ou quatro lentes a formar a ocular. Versões mais elaboradas podem ter objectivas de três elementos e as oculares chegam a ter oito a dez elementos.

Quando o telescópio está focado para o olho normal, emana da ocular um feixe de raios luminosos paralelos entre si, vindos de cada ponto do objecto observado. O olho recebe feixes paralelos de cada objecto observado, quando se olha para muito longe. É o sistema óptico do olho que faz, por sua vez, a convergência dos raios luminosos na retina do observador.

Na luneta de Galileu, a objectiva é convergente e  a ocular é de facto divergente. Também permite formar uma imagem, pois a ocular transforma o feixe convergente que chega da objectiva (vindo de cada ponto objecto do céu) num feixe paralelo. E o olho recebe feixes paralelos quando se olha para muito longe. É o sistema óptico do olho que faz, por fim, a convergência dos raios luminosos na retina do observador.

Tanto na luneta de Kepler como na de Galileu, focadas para o olho normal descontraído, os raios luminosos vindos de cada ponto do astro observado entram e saem paralelos dessas lunetas. A diferença é que, na luneta de Kepler, a distância entre as duas lentes (na concepção básica) é igual à soma das suas distâncias focais; na luneta de Galileu, a distância entre as duas lentes é igual à diferença dos valores absolutos das respectivas distâncias focais. O termo "absolutos" deriva do facto de, em óptica, se considerar negativa a distância focal das lentes divergentes e positiva a distância focal das lentes convergentes.

Mais informação, com mais pormenores e ilustrações explicativas, pode ser obtida aqui:

Almeida, Guilherme de — "Telescópios",  Plátano Editora, Lisboa, 2004.
ISBN: 978-972-770-233-6

Guilherme de Almeida

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